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Book Stories 2.0

Porque todos os livros contam uma história

Book Stories 2.0

Porque todos os livros contam uma história

Uma história de amor e de violência doméstica em 'Isto Acaba Aqui'

Book Stories, 30.03.23

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Há muito tempo que não lia um livro de uma só vez e foi o que aconteceu com ‘Isto acaba aqui’ da Colleen Hoover. E mais: durante os dias seguintes pensei várias vezes nas personagens, nas suas escolhas, no rumo que as suas vidas levaram, tentando encontrar o ponto de retorno como se fosse possível reescrever as palavras da autora.

É um livro envolvente com uma história que cativa mais e mais a cada página que viramos, tornando impossível parar de ler.

O início da história é delicioso. A forma como a Lily e o Riley se conhecem é engraçada, mas ao mesmo tempo séria e profunda. E como não nos apaixonarmos por ele?

E esse foi exatamente o problema. A forma como a Colleen constrói a história leva a que também a leitora se apaixone por aquele homem para, mais à frente, ficarmos com o coração partido, mas sem que o consigamos odiar (pelo menos eu não consegui).

Sim, da primeira vez torci para que Lily o perdoasse, mas a partir daí já não fui capaz de o fazer, embora me tivesse despedaçado o coração o facto de o Riley ser uma pessoa com todos aqueles problemas psicológicos e, sobretudo, problemas de controlo da raiva.

Isto fez-me pensar como a saúde mental, ou no caso a falta dela, pode transformar por completo uma pessoa ao ponto de acabar por perder a família e o amor da sua vida. E, se por um lado, ele é um agressor, por outro lado é uma pessoa genuinamente boa que, infelizmente, a vida moldou da pior forma.

Dir-me-ão: muitas pessoas têm traumas e não se tornam violentas. É verdade e concordo plenamente. Para mim o que diferencia o Riley do outro tipo de agressores é o facto de não o fazer por convicção, por vingança ou por ser genuinamente má pessoa. É um agressor e deve sofrer as consequências dos seus atos, mas isso não me impede de sentir compaixão por ele!

Interessante é também a forma como a Colleen nos apresenta Atlas, inserindo-o pouco a pouco na narrativa para que nos cative e nos enamore. Apesar de simpatizar com a história dele e com as suas conquistas apesar dos problemas da juventude, não me apaixonou.

Percebo a intenção da autora: o passado e o presente; os caminhos diferentes que alguém traumatizado pode seguir, mas achei-o demasiado perfeito e aqueles serões na casa dele com os amigos que ela tinha acabado de conhecer só me deram vontade de passar páginas à frente.

O final não é surpreendente e isso foi o que menos gostei no livro. Ainda assim, a autora merece o elogio por ter escrito uma obra que fala de um tema sério e gravíssimo, conseguindo dar-lhe alguma ligeireza para aliviar a leitura.

No meu entender, mais do que a história de amor cliché, este é o grande ativo do livro: a capacidade de contar uma história séria, que é vivenciada por milhões de mulheres em todo o mundo, de uma forma leve – e pesada nos momentos certos – para assim manter o leitor preso às páginas fazendo-o chegar à conclusão: a violência não tem desculpa e não é, nem nunca pode ser, uma forma de estar na vida, tal como não é, de forma alguma, amor pelo outro.

 

✅ A escrita inteligente que permite agarrar o leitor até à última página, dando-lhe uma lição de vida sem que o próprio se esteja a aperceber

❌ O final expectável a partir de muito cedo

⭐ 4

Alguma vez pensou em ler a autobiografia da Via Láctea? A oportunidade já chegou!

Book Stories, 30.03.23

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A Via Láctea absorveu buracos negros supermaciços, fez inimigos entre alguns dos seus vizinhos galácticos e lamentou a morte de inúmeras estrelas. Depois de tudo isso, a Via Láctea finalmente sentiu que acumulou experiência suficiente para nos fazer o relato da sua vida

 

 

 

Depois de alguns milhares de milhões de anos a testemunhar a vida na Terra, assistindo a cem mil milhões de seres humanos nas suas vidas quotidianas, sentindo-se incrivelmente solitária e ouvindo a sua história contada por outros, a Via Láctea gostaria de ter a oportunidade de falar por si – todos os seus cem mil milhões de estrelas e cinquenta sextiliões de toneladas de gás.

É assim que surge o livro 'Via Láctea – Uma autobiografia da nossa galáxia', de Moiya McTier, publicado em Portugal pela Bertrand.

É a astrofísica, etnóloga e comunicadora de ciência quem dá voz à Via Láctea através de uma autobiografia acessível e fascinante da nossa galáxia, mostrando em detalhe o que os seres humanos descobriram desde a sua formação até à sua morte futura, e o que mais há para aprender sobre esta galáxia a que chamamos casa.

"Tudo começou há cerca de treze mil milhões de anos, quando as nuvens de gás que se espalhavam pelo plasma primordial do universo não conseguiam manter as suas mãos metafóricas longe umas das outras. Sucumbiram à sua atração gravitacional, e daí nasceu a galáxia que conhecemos como Via Láctea. Desde então, a galáxia viu a energia escura afastar os seus primeiros amigos, enquanto os seres humanos mitificavam o seu nome e os arqueólogos galácticos trabalhavam para determinar a sua verdadeira idade (que falta de educação!)".

'A Escola da Vida' mostra que o saber é fruto de corpos esperando interações

Book Stories, 29.03.23

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O que se passará de tão interessante numa sala de aula para que as sociedades industrializadas obriguem a sua juventude a lá passar tanto tempo, numa vida tão curta?

Há uma certa convicção relativamente à aprendizagem que se impôs: o trabalho do espírito só é possível se o corpo estiver reprimido, imóvel e silencioso.

Aquilo que Maxime Rovere mostra em 'A Escola da Vida' é precisamente o contrário: o saber é fruto de corpos esperando interações, animados pelo desejo. É precisamente esta energia que circula em conflitos e em diálogos que nos faz crescer.

Depois de 'O Que Fazer dos Estúpidos', Maxime Rovere explora agora a erótica da aprendizagem, na tentativa de devolver a nobreza à arte de ensinar e aprender.

Em 'A Escola da Vida' defende que não se pode "considerar os professores como correias de transmissão, que podem passar conteúdos de saber de uma geração para outra" e aposta numa reformulação do método de ensino, que redescubra a relação entre aluno e mestre.

"Essa lufada de admiração é tão potente que basta uma chispa para que a admiração expluda em amor – um desses amores juvenis, confuso e inocente, terno, frágil, indizível e irrealizável, mediante os quais os jovens (mas não só eles) são levados a superar-se", lê-se no livro publicado pela Quetzal Editores.

Na ‘Biblioteca da Meia-Noite’ as segundas hipóteses podem salvar vidas

Book Stories, 28.03.23

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O autor bestseller New York Times, Sunday Times e Amazon, Matt Haig, traz-nos uma história delicada e cheia de mensagens em ‘A Biblioteca da Meia-Noite’.

Quando começamos a ler, o nosso coração enche-se de piedade por Nora Seed, uma mulher na casa dos 30 que vive a braços com uma depressão. Vive sozinha, com o seu gato e todas as suas relações, sejam pessoais, familiares ou profissionais, desaguam em mágoa e frustração.

Nora sente-se perdida, como se não houvesse mais mundo para si: foi despedida do seu trabalho, não tem amigos, os pais morreram, o irmão não lhe fala, a sua melhor amiga vive do outro lado do mundo na Austrália, o seu gato morreu e também não tem namorado.

É a morte do seu gato Voltaire – que carinhosamente chama de Volts – que é o gatilho para o fim da sua vida. Nora sente que sem o Volts está totalmente sozinha no mundo e, não tendo qualquer perspetiva, nem vontade, de futuro, a personagem principal deste livro magnífico tenta colocar termo à vida.

A partir daqui, Nora entra naquilo que podemos chamar de limbo: está clinicamente entre a vida e a morte, mas o seu espírito ou a sua alma ou só os seus pensamentos – isto deixo ao critério das crenças de cada um – está bastante vivo numa biblioteca que só existe no inconsciente de Nora.

É lá que reencontra a sua querida bibliotecária da escola que frequentou enquanto miúda, a senhora Elm, e que sempre lhe deu conselhos sábios.

E é na Biblioteca da Meia-Noite que encontra os livros que fazem parte da sua vida, ou melhor, das suas infinitas vidas.

Nora viveu a vida sempre sob pressão. Sob a pressão de um pai que queria que a filha fosse uma campeã olímpica, sobre a pressão de, no seu íntimo, sentir que a mãe sempre preferiu o irmão, sob a pressão de ter desiludido a família com as suas escolhas – especialmente o irmão com quem cuja relação se perdeu devido ao fim de uma banda.

Na biblioteca da meia-noite, Nora é convidada a abrir o livro dos arrependimentos, porque é necessário fechar capítulos para que a jovem mulher possa compreender as diversas dinâmicas que uma só vida pode ter.

A missão não é fácil. Nora sente a dor de reviver determinados momentos, de dizer determinadas coisas e de reviver determinados sentimentos.

Depois chega o momento de a jovem viver as vidas que não viveu e que quis, ou que achou que quis, viver. Assim, Nora vive a vida de uma conceituada campeã olímpica, de uma mulher casada (com o homem com o qual terminou o noivado dois dias antes do casamento), de uma exploradora glacial em Svalbard (um recanto glaciar na Noruega), de uma jovem ‘cool’ na Austrália, de uma mulher com um marido de sonho numa paisagem de vinhas também ela de sonho e, por fim, casada com um homem com quem tem uma filha.

Em nenhuma destas vidas Nora quis efetivamente ficar, porque a determinado momento se sentia desiludida com elas.

Mas afinal, onde estava a sua vida perfeita?

Esta é a grande mensagem que este livro nos transmite: não há vidas perfeitas. Há vidas com momentos bons e com momentos maus; com pessoas boas e com pessoas más; com momentos de alegria e com outros de dor; com sucesso profissional ou sucesso familiar – por vezes em simultâneo.

Mas sobretudo todos temos uma vida. Uma vida que é construída com base nas nossas escolhas, sejam elas boas ou más; uma vida que vale a pena viver, por mais difícil que o momento seja.

A vida é para ser vivida e não para ser terminada antes de chegar verdadeiramente o seu fim.

Quanto a Nora, foi preciso passar por todas as vidas possíveis e imaginárias para decidir que queria, afinal, viver!

 

✅ As peripécias divertidas por que Nora passa para, finalmente, encontrar o seu caminho e, acima de tudo, a mensagem que o livro transmite: força e esperança

❌ Absolutamente nenhum

⭐ 5

 

 

 

'A Diplomacia de Salazar' conta detalhes da visita dos duques de Windsor a Portugal

Book Stories, 27.03.23

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'A Diplomacia de Salazar (1932-1949)', do embaixador Bernardo Futscher Pereira, foi editado este mês pela Dom Quixote, com um novo capítulo, que enriquece a trilogia sobre a diplomacia do Estado Novo escrita ao longo de uma década pelo atual embaixador português em Roma.

Na terceira edição, agora atualizada, com um novo preâmbulo, encontram-se novos dados sobre a visita dos Duques de Windsor a Lisboa, em Julho de 1940, episódio que revela a “prudente distância” que Salazar guardou numa altura crucial da II Guerra Mundial da Alemanha nazi, tornando a capital um porto seguro para os ingleses, ao contrário de Madrid vista como uma cidade hostil.

Mas também o envolvimento do banqueiro Ricardo Espírito Santo, em cuja casa ficou hospedado o ex-monarca, e a rocambolesca história do ministro dos negócios estrangeiros alemão, Joachim von Ribbentrop, para raptar  Edward e Wallis Simpson.

Mais do que uma interpretação das grandes linhas da política externa portuguesa nesses anos, este livro pretende ser uma crónica das múltiplas crises e desafios com que Portugal se viu confrontado e das respostas que o regime lhes deu, essencialmente no plano diplomático. 

Aqui analisa-se o período entre a ascensão de Salazar à chefia do Governo, em julho de 1932, e a adesão de Portugal à Aliança Atlântica, em 1949. A resposta à Guerra Civil de Espanha e à II Guerra Mundial pelo Estado português são os dois temas principais abordados.

Bernardo Futscher Pereira (1959) é mestre em Ciências Políticas e em Relações Internacionais pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Trabalhou como jornalista antes de ingressar no Ministério dos Negócios Estrangeiros em 1987. Serviu em Bruxelas como chefe de gabinete do secretário-geral da UEO, embaixador José Cutileiro. Foi conselheiro diplomático do ministro da Defesa Nacional, José Veiga Simão, e assessor para as relações internacionais do Presidente da República Jorge Sampaio entre 1999 e 2006.

Foi cônsul-geral em Barcelona, embaixador em Dublin entre 2012 e 2017, e em Rabat entre 2020 e 2022. Foi conselheiro diplomático e 'sherpa' do primeiro-ministro António Costa entre 2017 e 2019.

Tem publicado numerosos artigos sobre a política externa portuguesa, história diplomática e política internacional. É autor de 'Crepúsculo do Colonialismo' (1949-1961) e 'Orgulhosamente Sós' (1962-1974). É embaixador em Roma desde janeiro de 2023.

'O Raposo' num triângulo feito de amor e ódio

Book Stories, 26.03.23

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Jill e Nellie levam uma vida pacata, retiradas na sua quinta, onde não contam com qualquer ajuda masculina. Quando um raposo começa a atacar a capoeira, Nellie pega na arma, mas, apesar de o ter na mira, é-lhe impossível disparar. Chega então à quinta um jovem soldado, vindo da guerra, e abala definitivamente a estabilidade daquela relação de amor e companheirismo entre as duas mulheres.

 

Publicado pela primeira vez em livro em 1923, 'O Raposo' é uma das mais célebres histórias narradas por D. H. Lawrence. 

Explorando temas como a sexualidade, o papel ditado a cada género pelas normas sociais e o fatalismo da transgressão, esta é uma novela breve mas poderosa, reveladora da irreverência que marcou a produção literária deste que é um dos grandes escritores ingleses do início do século XX.

O livro, editado pela Livros do Brasil, já se encontra em pré-venda e estará disponível nas livrarias já amanhã!

Tendo por cenário a Inglaterra rural da Primeira Guerra Mundial, esta história já adaptada ao grande ecrã em 1967 aborda questões estruturais da obra do autor britânico, explorando a tensão psicológica de um triângulo de amor e ódio.

 

'O Príncipe' foi escrito há 500 anos mas continua a fazer todo sentido nos dias de hoje

Book Stories, 25.03.23

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A obra 'O Príncipe', de Nicolau Maquiavel – filósofo, historiador, poeta, diplomata e músico oriundo da Florença do Renascimento –, é o tratado clássico quinhentista sobre a política e a arte de bem governar que mantém toda a sua atualidade, podendo facilmente ser transposto para os dias de hoje.

'O Príncipe' tornou-se a bíblia da realpolitik, e ainda mantém o seu poder para nos alarmar e para nos instruir.

Segundo Nigel Warburton, filósofo e autor de 'Liberdade de Expressão' e de 'Grandes Livros de Filosofia', "se quiser ter uma ideia acerca do funcionamento das políticas, do poder e do seu carácter implacável, ou simplesmente se quiser conhecer algum do pensamento por detrás de 'A Guerra dos Tronos', este pequeno livro escrito no século XVI ainda é o melhor à sua disposição".

 

Já Jonathan Powell, antigo diplomata britânico, considera que "o motivo pelo qual este livro ainda é lido nos nossos dias é porque se baseia na natureza humana, tal como 'Hamlet' ou 'Macbeth', de Shakespeare".

De facto, 'O Príncipe', escrito há mais de 500 anos, ajuda-nos a melhor compreender muita da política dos nossos dias, ou não tivesse sido escrito por aquele que é reconhecido como o fundador do pensamento e da ciência política moderna pelo facto de ter escrito sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser. 

"E um dos maiores e mais eficazes remédios seria a pessoa que os adquire ir para lá habitar; isto faria mais segura e mais duradoura aquela possessão, como fez o Turco na Grécia: mesmo observando todas as outras ordens para deter esse estado, se não tivesse ido para lá habitar, não teria sido possível detê-lo. Porque, estando lá, veem-se nascer as desordens e depressa se podem remediar; não estando lá, dá-se por elas quando já são grandes e já não há mais remédio".

Um retrato de Rasputine por quem teve o (des)prazer de o conhecer

Book Stories, 24.03.23

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Rasputine – o fim da grande Rússia e a queda dos Romanov’, editado em Portugal pela Alma dos Livros, é uma leitura bastante interessante do ponto de vista histórico. Não só porque relata a vida de uma das personagens mais misteriosas da história recente da Rússia, como é escrito por uma princesa que teve oportunidade de conviver com Grigori Yefimovich Rasputine.

Para quem nunca tenha ouvido falar de Rasputine, que nasceu em 1869 e morreu em 1916, este foi um camponês de origens humildes que, através da sua astúcia, se conseguiu transformar num dos homens mais temidos e influentes do Império Russo.

Rasputine valeu-se da religião fervorosa do povo e da ambição dos nobres para se transformar num ídolo, garantindo ter premonições, o que lhe permitiu criar uma seita. E desenganem-se se pensam que apenas os pobres e analfabetos sem qualquer conhecimento seguiram este homem.

Ao contrário do que seria de esperar, homens e mulheres da alta sociedade caíram no conto do vigário e, pior, foram eles que alimentaram a lenda durante anos, o que permitiu a Rasputine frequentar os mesmos espaços da elite, construindo, desta forma, importantes alianças.

Graças a estas alianças, Rasputine aproximou-se da família imperial. O facto de o filho dos czares ter uma saúde débil e tendo em conta a reputação de milagreiro que o monge alcançou com a ajuda dos seus seguidores, Rasputine tornou-se numa presença assídua junto da czarina.

Aliás, esta aproximação valeu mesmo a criação de rumores de que Rasputine seria amante da czarina e que tinha o poder de influenciar as decisões políticas do czar – o que segundo a autora não corresponde à verdade.

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E se foi este último boato que fez do monge de origens humildes bastante rico – devido aos favores que cobrava em troca de falsos conselhos dados ao czar – foi também este boato que lhe fez chegar a morte mais cedo, pois deu origem a vários ódios e invejas.

Neste livro, a autora, a princesa Catherine Radziwill, desmonta a lenda de Rasputine com quem conversou pessoalmente. A convite de um jornal-norte americano, a autora reuniu-se com Rasputine para tentar perceber que homem era aquele cuja fama já havia ultrapassado as fronteiras do Império Russo.

Catherine descreve-o como um “mougik russo vulgar, mal-educado e sujo, desprovido de honestidade e de escrúpulos” que “contaminava todos aqueles nos quais tocava”. A sua aparência somada à sua personalidade e ao facto de ser conhecida a existência de orgias na sua casa, chocaram a autora. Não pelos factos isolados em si, mas porque apesar de todo este conjunto, homens de poder e mulheres de religião “se prostravam” perante ele, implorando por favores.

A autora conta um episódio a que assistiu e no qual viu uma mulher beijar os pés de Rasputine, apenas porque este assim o ordenou. E como esta mulher, tantas outras e tantos outros de todos os estratos sociais, se submeteram a todo o tipo de ordens, mesmo que não fizessem qualquer sentido.

Catherine, que foi uma notável aristocrata russo-polaca, conta que quando viu pela primeira vez “o ‘Profeta’ [assim era conhecido] não me pareceu o indivíduo notável que eu esperava”.

“Era alto e magro, com uma longa barba e cabelos pretos (…), os olhos eram negros com uma expressão singularmente astuta. As mãos eram a coisa mais notável no homem. Eram compridas e finas, com unhas enormes e o mais sujas possível”.

Para quem gosta de história, este é um livro que vale a pena. Permite-nos conhecer melhor a personagem e o modo de pensar do início do século XX, bem como todo o contexto político e social da época que permitiram a ascensão de um monge pobre, sem maneiras e sem educação e a sua consequente queda.

 

✅ O testemunho na primeira pessoa de quem acompanhou aqueles anos e de quem conheceu e conversou com Rasputine 

❌ Não me ocorre nenhum

⭐ 4,5

 

 

 

Conheça dez histórias de liderança e fique a saber os segredos dos líderes (incluindo Rui Nabeiro)

Book Stories, 23.03.23

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Afinal, o que caracteriza um bom líder?

Será a sua capacidade de decidir rapidamente? Ou, pelo contrário, é a ponderação? É importante saber ouvir ou é melhor avançar, imediatamente, com soluções para cada problema? Será saber escolher as pessoas certas para os lugares certos? E o faro, a intuição, entram nesta equação?

Rui Nabeiro, Graça Freitas, Henrique Gouveia e Melo, entre outras personalidades entrevistadas por Patrícia Matos, utilizaram vários adjectivos para caracterizar um líder: assertivo, resiliente, sonhador, eficaz, faminto. Vários estudiosos tentaram fazê-lo, também, ao longo dos anos, o que resultou em diferentes definições e em estilos de liderança distintos.

Em 'Segredos da Liderança', que conta com a chancela da Desassosego, estão reunidas dez histórias de liderança, homens e mulheres que nos inspiram, na sociedade actual portuguesa, e que nos habituámos a admirar.

Quer conhecer os segredos de liderança e aprender com os melhores líderes nacionais?

Este é o 'Livro dos Cancelados' e é um alerta para o perigo da cultura 'woke'

Book Stories, 22.03.23

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A Dom Quixote lançou, ontem, o 'Manual do Bom Cidadão, o Livro dos Cancelados', do economista e intelectual espanhol Jorge Soley, um livro para compreender e resistir à cultura do cancelamento que domina as redes sociais e a nossa sociedade.

Palavras. Estátuas. Livros e, até, pessoas são canceladas. Tudo deve ajustar-se aos moldes do politicamente correto. A pergunta é óbvia: Porquê? O que fazer perante o crescimento da política 'woke'?

“É muito provável que não tenhamos vontade de nos vermos imersos num processo público de cancelamento, mas também é crescente a probabilidade de que, sem o desejarmos, tenhamos de enfrentar uma situação em que devemos escolher entre dizer a verdade e assumir as consequências, ou mentir, moldarmo‑nos ao politicamente correto e passarmos despercebidos. A maioria de nós, ocupada como está com as nossas famílias, os nossos amigos, os nossos trabalhos e atividades, preferiria passar ao lado de todos esses conflitos, controvérsias e cancelamentos que dividem a nossa sociedade. Mas a neutralidade já não é uma opção”, escreve o economista e professor universitário espanhol, Jorge Soley Climent, um intelectual católico, licenciado em Economia pela Universidade de Barcelona, colunista habitual na imprensa espanhola.

Professores com processos disciplinares por ensinar que o sexo é determinado por um par de cromossomas, contas de Twitter suspensas por referirem que a relva é verde, estátuas derrubadas e vandalizadas, filmes da Disney considerados abominações, livros que têm de ser reescritos, palavras que, de um dia para o outro, se transformam em termos proibidos e podem arruinar a nossa carreira ou mesmo a nossa vida…

A controvérsia suscitada por esta cultura do cancelamento deriva e entronca, segundo o autor, no crescimento das 'fake news'. O aumento da desinformação, usada inclusive por governos e movimentos políticos e ideológicos - que recorreram às redes sociais para espalhar informações falsas entre a população - leva a que se considere normal a censura de certas mensagens.

Soley julga, no entanto, ser bastante mais perigoso utilizar o medo para cancelar tudo aquilo que é contrário à ideologia que defende. “A desinformação sempre existiu, sempre houve propaganda. Mas sempre pensámos que as pessoas são suficientemente maduras para distinguir a informação viável da falsa”, afirma, quem considera que a justiça é a única solução, “já que o cancelamento é um caminho perigosíssimo”.

Jorge Soley Climent foi fundador e presidente da European Dignity Watch e é patrono do Center for European Renewal e da Fundación Pro-Vida de Cataluña.

 

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